No Tribunal Superior Eleitoral - TSE, Sergio Moro venceu a guerra.

Por unanimidade, os ministros do tribunal eleitoral rejeitaram os recursos do PT e PL contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná que manteve o mandato de Moro como senador da República.

A decisão do TSE é um banho de água fria em quem observava a cassação do mandato como uma espécie de punição, reparação, a tudo o que Moro fez ao Brasil, na condução dos julgamentos da finada operação Lava Jato.

O que muitas vezes é esquecido, seja por conveniência política ou cegueira política, é que Moro e STF, com o TSE, que é um puxadinho do STF, sempre foram e continuam sendo uma coisa só.

Inscreva-se no canal, deixe o like e compartilhe este vídeo!

Os 7 ministros que compõem o plenário do TSE votaram contra a cassação do mandato de senador pelo Paraná de Sergio Moro.

As ações do PT e do PL contra Moro foram protocoladas na justiça eleitoral em 2022.

Quase dois anos depois veio a confirmação de que Moro seguirá com seu mandato e o entendimento de que não cometeu os crimes de Caixa 2, abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação na campanha eleitoral de 2022.

Será que Moro não cometeu mesmo esses crimes? Por que tanto tempo para julgar essas ações? Essas perguntas lamentavelmente não serão respondidas. E como não serão respondidas, nos permite algumas considerações:

Primeira, no rigor da lei eleitoral, Moro cometeu os crimes, já que tocava uma pré-campanha presidencial e, convenientemente, decidiu disputar a vaga ao Senado pelo Paraná, tendo, por tanto, feito campanha por mais tempo que seus concorrentes. É óbvio que não foi determinante para a sua eleição, mas se está nas regras precisa ser seguido e ponto final.

Todos nós acompanhamos esse processo. Moro, inclusive, mudou de domicílio eleitoral do Paraná para São Paulo, e depois de volta ao Paraná, numa clara demonstração de oportunismo eleitoral.

Segunda, levaram quase 24 meses para o julgamento final. O que para mim é muito tempo, foi o tempo necessário para as negociações.

Muitos falaram que Moro seria cassado no TSE contando com ninguém menos que Alexandre de Moraes, presidente da corte eleitoral.

Moraes, tido como super-herói, decepcionou uma galera e votou a favor da manutenção do mandato.

O TSE/STF concede a Moro o mesmo benefício que deram a Hamilton Mourão, Ricardo Salles e Eduardo Pazuello, por exemplo.

O benefício de que, se encaixando à ordem institucional, se submetendo as vontades supremas, o que foi feito no verão passado ficou no verão passado e seguimos em frente. 

Inclusive com direito à aparente humilhação, como no episódio da audiência de Moro com Gilmar Mendes. Ali, Moro deixou claro que estava às ordens e disposto a pagar o preço que fosse para seguir no Senado.

Só que seguimos em frente com um porém: o porém de que esses atores, o que inclui Moro, estão endividados e devem suas vidas políticas a quem deveria julgá-los com o rigor das leis.

Um exemplo cabal disso foi a fala de Moro de que o julgamento foi técnico e que o Brasil estaria superando o "revanchismo".

"O melhor é nós deixarmos de lado esse espírito de revanchismo, e essa polarização exacerbada, que muitas vezes embota o nosso raciocínio e impede que nós busquemos convergências naqueles pontos comuns".

Essa fala mostra como Moro está inserido na institucionalidade e como não tem constrangimento de se aliar a quem fingiu e finge combater. Nem a aparência o Moro mantém mais.

Outro exemplo, é o silêncio de Moro diante dos recentes revezes da Lava Jato no STF. O que em outros tempos receberia muita atenção do ex-juiz, dessa vez não deu um pio sobre a extinção da pena de José Dirceu ou sobre a anulação de todos os atos da operação contra Marcelo Odebrecht.

Moro seguirá com seu mandato, mesmo tendo cometido os crimes pelos quais foi acusado na esfera eleitoral e, mais grave, mesmo com a condução dos julgamentos da operação Lava Jato que comprometeu setores inteiros da economia brasileira.

Sem dever nenhum tipo de reparação ao Brasil, agora como um homem livre, Moro mantém a habilitação política e, de quebra, mostra que ainda é útil à institucionalidade que hoje diz defender a democracia, mas que confiou a ele várias missões de desestabilização dessa mesma democracia. E pode confiar outras mais. 

Que agora em diante, após esse resultado, a análise foque mais em quem está decidindo os rumos da vida política de Moro e de tantos outros do que no próprio Sergio Moro.