Como era esperado, o ato unificado das centrais sindicais no 1° de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, foi um fiasco.



Poucas pessoas toparam participar da manifestação, apesar do patrocínio de 3 milhões de reais da Petrobras, segundo o Poder360, e a presença de Lula e 9 de seus ministros de Estado.

O presidente Lula tem de se preocupar não só com quem não foi, mas com quem esteve lá.

Como foi o ato

As principais centrais sindicais do Brasil realizaram um ato político em um dos estacionamentos do estádio do Corinthians neste 1° de Maio, Dia Internacional do Trabalhador.

Mesmo localizado em Itaquera, bairro da Zona Leste de São Paulo, o estádio do Corinthians fica literalmente do lado das estações de Metrô e de trem metropolitano. Ou seja, não dá para usar a desculpa de que o local é de difícil acesso.

O fiasco notado pela baixa presença de manifestantes se explica não pelas ausências no ato deste 1° de Maio, mas pela tendência que vem de alguns anos de que nem mesmo as centrais sindicais conseguem mobilizar pequenas ou grandes multidões. Não mobilizam.

Há uma desconexão gritante entre as cúpulas das centrais e a classe trabalhadora.

Se o interesse maior for a conscientização política e não as boquinhas, as vantagens pessoais, o desafio que essas representações deveriam aceitar e encontrar soluções é o de retomar as relações com as famosas bases.

Essa postura acrítica que as centrais sempre têm quando o governo de plantão é tido como aliado, não ajuda muito, na verdade, atrapalha, afasta ainda mais.

Sobre o presidente Lula, compartilho uma aspa de seu discurso no ato:

Vocês sabem que ontem eu conversei com ele [Márcio Macêdo] sobre esse ato e disse para ele: ‘Ô Márcio, o ato está mal convocado’. O ato está mal convocado, nós não fizemos o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar, mas, de qualquer forma, eu estou acostumado a falar com 1.000, com milhão, mas também se for necessário eu falo apenas com a senhora que está ali na minha frente”

Isso é um reconhecimento do presidente da República de que, mesmo com o patrocínio de 3 milhões de reais da Petrobras, imagino que para custear as despesas, e o apoio do ministério da Cultura, o ato foi um fiasco.

O presidente Lula é inteligente o suficiente para saber que o fiasco não se deve à convocação. É algo mais sério. Há um descrédito tanto em sua imagem como na das centrais.

E Lula não deve apenas se preocupar com quem não foi ao ato. Lula tem que, primeiro, agradecer a disposição política de quem topou participar da atividade política, mesmo nutrindo justas divergências com a sua condução do País.

Quem esteve no estádio do Corinthians demonstrou que tem coragem e determinação de defender seus princípios, mesmo que o governo eleito por essas mesmas pessoas não esteja cumprindo as promessas de campanha.

Em segundo lugar, o presidente Lula tem também de se preocupar com quem esteve no ato.

Estive no ato e escutei muitas queixas sobre a atuação do governo em relação a demandas como a revogação das reformas da previdência e trabalhista, e da Lei das Terceirizações.i

Ah, mas isso é impossível dada a correlação de forças. O Congresso é muito conservador e tal.

Ok. O que essas pessoas deveriam estar defendendo, então? Aliança com os Estados Unidos para enfrentar a internacional fascista?

Há uma coerência nas cobranças. São as mesmas bandeiras de luta dos últimos sete anos. O que mudou foi o governo, sobre o qual havia muita expectativa de boa parte dos presentes no estádio do Corinthians.

Espero que o presidente Lula tenha compreendido a mensagem dada tanto pelos ausentes como pelos presentes.