As pesquisas eleitorais divulgadas pelo Datafolha e Paraná Pesquisas na sequência podem ter acendido o sinal de alerta na pré-campanha de Guilherme Boulos, pré-candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSOL.

Se de fato acendeu, indica que a pré-campanha está fazendo a leitura comum dos últimos dias de que não está apresentando resultados a estratégia de colar ao Ricardo Nunes, pré-candidato à reeleição pelo MDB, a imagem de autoritário e antidemocrático, como a associada a Jair Bolsonaro, a quem recorre para ser seu padrinho político.

Nesse momento de pré-campanha eleitoral, é verdade que as pesquisas são balizas para as estratégias dos candidatos, mas não podem definir integralmente como cada candidatura deve ser portar.

Cabe à pré-campanha de Boulos explorar outras abordagens para além do Lula vs Bolsonaro, uma vez que o próprio candidato ainda não se consolidou como figura política moderada, mesmo que esteja a caminho disso, e o prefeito Nunes está alicerçado na ampla aliança que vai do chamado Centro (MDB, PSD, UNIÃO e PSDB) à direita e extrema-direita (PP, PL e REPUBLICANOS).

A propósito, se a intenção da pré-campanha de Boulos é reeditar o que foi a eleição de 2022 em nível nacional, precisa ainda reforçar o arco de partidos que apoia a pré-candidatura ou no mínimo selar acordos de neutralidade com legendas que ocupam o centro político. Hoje, as articulações em torno de Nunes lembra mais o que fez Lula em 2022 do que o que tem feito Boulos.

Uma nova abordagem a ser explorada mais pela pré-candidatura é por que o eleitorado paulistano deve defender uma mudança na gestão da prefeitura, não apenas em relação ao Nunes, mas exercitando a memória de que a atual administração vem desde João Dória, em 2017, ou seja, a crítica sobre promessas não cumpridas deve levar em consideração oito anos e não quatro.

A 200 dias das eleições, tempo não falta para adequar a pré-campanha ao que espera o eleitorado e disputar, para valer, a administração da maior cidade do País.