A operação Lava Jato completou 10 anos no domingo, 17 de março de 2024. Sem muito o que comemorar, foram observadas poucas menções à data por parte de ex-integrantes da força-tarefa e apoiadores daquela que chegou a ser considerada maior operação de combate à corrupção da história do Brasil.

Uma década depois, ainda não foi revertido o saldo negativo às cadeias produtivas brasileiras, mensurado na perda de 4,4 milhões de empregos entre 2014 e 2017, e na redução estimada de 3,6% no PIB no mesmo período, segundo o Dieese.

Dois dos principais membros da operação, o ex-juiz federal Sergio Moro e o ex-procurador da República Deltan Dellagnol não perderam tempo e entraram para a política, buscando surfar na popularidade das pretensas investigações. Ambos estão sofrendo a "revanche" da classe política e institucional. Enquanto o primeiro está em vias de perder o mandato como senador da República pelo Paraná, o segundo já teve cassado o mandato como deputado federal pelo mesmo estado.

Apesar dos vícios claros e manifestos na condução do combate à corrupção, tanto no propósito de enfraquecer o setor de óleo e gás, e a engenharia brasileira, quanto em perseguir adversários políticos, a força-tarefa contava com o suporte das instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal - STF, que agora, no marco dos 10 anos da Lava Jato incumbiu o decano Gilmar Mendes de cortar o cordão umbilical com a operação.

Mendes tem sido o porta-voz do STF para o tema, sob o silêncio, ao menos público, da ala lavajatista do Supremo. Trata-se da estratégia de relações públicas em marcha que busca consolidar uma nova imagem do STF. A pergunta sem resposta é por quanto tempo o Supremo manterá essa postura, já que em 10 anos os posicionamentos e entendimentos, mesmo sem muita alteração na composição do pleno, mudaram da água para o vinho.