O ministro do STF Alexandre de Moraes derrubou, nesta sexta-feira, 15 de março de 2024, os sigilos dos depoimentos prestados por militares recentemente no âmbito da investigação que apura a suposta trama golpista para manter Bolsonaro no poder depois da vitória de Lula em 2022.

Aqui, não trago aspas do que falaram à Polícia Federal. Faço um comentário sobre a percepção diante das revelações.

Está muito claro que Bolsonaro, já inelegível, é o alvo principal, e já se consolidou como o maestro da suposta trama, uma peça que para mim não encaixa nesse quebra-cabeças, já que a chegada ao Palácio do Planalto se deveu ao apoio explícito da chamada Família Militar e, enquanto esteve no Poder, a própria imprensa falava em alas dotadas de certa autonomia, sobre as quais o ex-presidente não tinha muita relevância. Parece que isso mudou.

O mesmo vale para a percepção de que Jair Bolsonaro não teria mais o que negociar com as instituições. Não teria mais o que oferecer para reverter esse cenário no qual aparece como golpista.

A questionável condução jurídica das investigações contra Bolsonaro e turma, em processo semelhante ao do ex-presidente Lula e também sua turma, em um passado recente, levará ao resultado já precificado de desgaste político do ex-presidente, tal qual passou o agora presidente.

Não importa se Bolsonaro de fato discutiu um Golpe de Estado, o que é vedado constitucionalmente, enquanto Lula teria sido acusado por crimes não cometidos. O que tem valor aqui é a consolidação de uma percepção que aponta para Lula e Bolsonaro como faces da mesma moeda.

Bolsonaro talvez não tenha o mesmo destino de Lula. O que posso afirmar com o que tenho agora é que considero dar tempo ao tempo.