Você reparou que o ex-presidente Jair Bolsonaro tem feito quase tudo que falaram que lula faria quando estava sendo investigado?
Quando Lula estava sendo investigado pela operação Lava Jato, ele chegou a ser levado pela Polícia Federal em uma condução coercitiva. No posto da PF, no aeroporto de Congonhas, falou por quatro horas, quando muitos achavam que ficaria em silêncio.
Depois, já em seu julgamento, antagonizou com o então juiz Sérgio Moro em depoimentos fortes e com valor histórico.
Também quando esteve prestes a ser preso, se entregou à PF, alegando acreditar que o tempo iria repará-lo.
É verdade que tentou, sem muito êxito, mobilizar seus apoiadores, mesmo que sem a perspectiva de mudar o curso da história.
Na época, vários jornalistas, alguns que hoje aparentam ter mudado de lado, sugeriram que Lula optaria pelo silêncio ou recorreria à uma embaixada estrangeira para se resguardar dos avanços da turma de Curitiba, com apoio do STF.
Bom, nada disso aconteceu, Lula ficou preso por 580 dias e saiu de lá com o aval de quem havia o colocado lá.
Já o ex-presidente Jair Bolsonaro recorreu aos seus apoiadores em uma grande manifestação recentemente, ficou em silêncio durante um depoimento na PF sobre a suposta trama golpista e dormiu em uma embaixada estrangeira.
Mesmo afirmando que a intenção não era evitar uma possível prisão, a repercussão das imagens do circuito interno da embaixada da Hungria mostrando o ex-presidente nas dependências do prédio localizado em Brasília já consolidou a versão de que estaria receoso de algo.
Nas imagens, o ex-presidente Jair Bolsonaro chega na noite do dia 12 de fevereiro, uma segunda-feira, e sai na manhã da quarta-feira 14 de fevereiro.
No dia 8 de fevereiro, Bolsonaro teve seu passaporte apreendido pela polícia federal, em uma operação contra a suposta trama golpista para mantê-lo no poder mesmo depois da derrota para Lula, em 2022.
O ex-presidente é alvo de algumas investigações ainda bem embrionárias, mas no centro de uma atmosfera cada vez mais desfavorável.
No Brasil, o ambiente e o timing políticos são determinantes, para prender e para soltar.
O clima não é dos melhores para o ex-presidente, que também deveria ser investigado, eventualmente condenado, pela condução do país durante a pandemia e pela entrega de ativos do patrimônio público na agenda neoliberal de Paulo Guedes.
A propósito, por onde anda Paulo Guedes? Ninguém sabe, ninguém viu. Está se safando com a cara lisa.

0 Comentários