Toda vez que a Globo interrompe a programação não é um bom
presságio.
Não estou falando do Plantão da Globo para trazer a notícia
da prisão dos supostos mandantes da morte de Marielle Franco, seis anos e 10
dias depois da execução dela e de seu motorista Anderson Gomes, em março de
2018.
Me refiro aos boletins durante a programação para atualizar o encaminhamento dos presos à custódia da Polícia Federal em Brasília, mostrando a aterrissagem do avião e o desembarque dos passageiros ilustres: Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; Chiquinho Brazão, deputado federal pelo UNIÃO-RJ, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do RJ, acusado de ter planejado meticulosamente a morte de Marielle.
Logo ele que assumiu a chefia da polícia civil exatamente um
dia antes da execução da vereadora, depois de ter sido indicado e nomeado para
o cargo pelos militares do exército que já estavam à frente da secretaria de
segurança pública do Rio de Janeiro, fazendo valer a intervenção na área
autorizada pelo então presidente da República, Michel Temer.
Após as prisões dos três suspeitos de terem sido os
mandantes da morte da ex-vereadora do PSOL, Marielle Franco, pela polícia
federal,
O que se seguiu pelo lado do ministro da justiça e segurança
pública, Ricardo Lewandowski, não parece adequado para o esclarecimento
completo das circunstâncias por trás do crime cometido em 2018.
Em entrevista coletiva para falar das prisões, o ministro
afirmou que:
"este momento é extremamente significativo, é uma vitória do Estado brasileiro, das nossas forças de segurança do país com relação ao combate ao crime organizado".
"é claro que podem surgir novos elementos que levarão eventualmente a um relatório complementar da Polícia Federal. mas neste momento, os trabalhos foram dados como encerrados."
Sobre a motivação do crime bárbaro contra Marielle, Andrei Rodrigues,
diretor-geral da PF, disse que:
“diversos indícios do envolvimento dos Brazão, em especial Domingos, em atividades criminosas como milicias e grilagem de terras. ficou delineada divergência no campo político em regularização fundiária e direito à moradia”.
Já o ministro Lewandowiski afirmou:
"me parece um trecho significativo sobre o assassinato de Marielle, que se opunha a esse grupo que queria regularizar terras para fins comerciais, enquanto o grupo de Marielle queria utilizar essas terras para fins sociais, de moradia popular"
Ou seja, uma disputa política na câmara municipal do rio de
janeiro teria sido o principal motivo por trás do assassinato, como já vinha
sendo difundido e agora foi consolidado.
Retomo ao texto anterior sobre o mesmo tema, pedindo que, neste momento, ao invés de dar declarações do tipo que os trabalhos foram dados como encerrados, o ministério da Justiça, por meio da PF, não permita acordos e conchavos para livrar a pele de outros potenciais envolvidos.

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