A Polícia Federal prendeu três suspeitos de terem sido os mandantes da execução da vereadora Marielle Franco, em março de 2018.
Seis anos e 10 dias depois, neste domingo 24 de março de 2024, os apontados pela PF como mandantes são o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, seu irmão e deputado federal Chiquinho Brazão (UNIÃO-RJ) e o ex-chefe da Polícia Civil fluminense delegado Rivaldo Barbosa.
As prisões foram autorizadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, a pedido da Procuradoria-Geral da República, que realizou a ação em conjunto com o Ministério Público do Rio de Janeiro.
Os nomes foram dados pelo ex-policial Ronie Lessa, acusado de ter matado a vereadora e seu motorista Anderson Gomes.
Lessa aceitou um acordo de delação premiada, que foi homologado na semana passada.
A irmã de Marielle, hoje ministra da Igualdade Racial do governo Lula, Anielle Franco, publicou nas redes sociais o seguinte:
"só deus sabe o quanto sonhamos com esse dia! hoje é mais um grande passo para conseguirmos as respostas que tanto nos perguntamos nos últimos anos: quem mandou matar a mari e por quê?"
Dos três presos, o delegado Rivaldo Barbosa parece ser o elo mais fraco, e quem poderá oferecer mais às investigações.
Rivaldo assumiu a chefia da Polícia Civil exatamente um dia antes da execução de Marielle Franco, dia 13 de março de 2018, e foi quem recebeu os familiares de Marielle após a morte da vereadora, prometendo elucidar os assassinatos
Rivaldo foi indicado pela secretaria de segurança pública do Rio de Janeiro, a época sob a intervenção dos militares do exército.
Em 2018, o então presidente da república, Michel Temer, autorizou o emprego dos militares do exército na segurança pública no rio de janeiro.
O secretário era o general Richard Nunes, por sua vez indicado pelo interventor general Walter Braga Netto, o candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, em 2022.
Segundo o UOL, Rivaldo foi escolhido em 22 de fevereiro daquele ano, mas só assumiu a chefia da Polícia Civil no dia 13/3/18, portanto, três semanas depois.
É inegável que as investigações estão avançando muito mais rápido do que nos últimos seis anos, e isso tem uma explicação simples: não há obstrução.
Contudo, a celeridade não pode ser companheira da injustiça, e o esclarecimento desse crime deve ser completo, sem acordos ou conchavos para deixar de fora quem teve/tem envolvimento com aquelas execuções bárbaras ocorridas no centro do Rio de Janeiro em março de 2018.


0 Comentários