Os áudios divulgados pela revista Veja de um desabafo do tenente coronel do exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, evidenciam como são os bastidores da política.
Mauro Cid é o principal colaborador das investigações sobre supostos crimes cometidos pelo ex-presidente Bolsonaro durante seu governo, da venda de jóias que deveriam pertencer ao acervo da Presidência da República e a falsificação de certidões de vacinação contra a Covid-19, até a trama golpista, envolvendo também outros militares.
Nos áudios, Cid acusa o ministro do STF Alexandre de Moraes e a Polícia Federal de estarem confabulando uma narrativa de acusação contra Bolsonaro e seu grupo político, e que sua delação premiada serviria apenas para validar as investigações.
Também abordou, em tom crítico, como somente ele e sua família estariam sendo prejudicados pelas apurações, enquanto Bolsonaro ficou milionário com as contribuições via PIX de apoiadores e outros políticos estão se cacifando com a narrativa de perseguição política.
Destaque dos áudios fica por conta do momento em que revela que Bolsonaro se reuniu com Alexandre de Moraes na casa de Ciro Nogueira, senador pelo Piauí e presidente nacional do PP. Moraes não desmentiu e nem vai. O portal Metrópoles tem noticiado que o encontro ocorreu em dezembro de 2022, e a CNN Brasil informou que teve um encontro há 10 dias.
As pretensas revelações, a princípio, servem de munição para aqueles que já vêm denunciando uma suposta arbitrariedade na condução dos processos, mas não mudam a realidade. Tanto é que o próprio Cid, nos áudios, lembra que ele está envolvido em todas as acusações e dificilmente escapará.
Em suma, os áudios, uma semana depois da decisão de Moraes de levantar o sigilo dos depoimentos de militares, confirmam que o Brasil não é para amadores, e que escolheram a sexta-feira para lançar episódios inéditos dessa história.

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