Ciro Gomes tem levantado uma bola interessante sobre o pagamento de R$ 93 bilhões em precatórios pelo governo Lula em 2023. Não se trata de mera suspeita. Trata-se de uma denúncia legítima sobre um escândalo de corrupção, mas corrupção permitida pelo sistema capitalista, tal qual o do juros da dívida pública, por exemplo.
O argumento principal de Ciro Gomes é que o repasse feito pelo governo Lula não foi diretamente para os credores, mas sim a instituições financeiras que compraram precatórios de credores, por muito menos do que valiam, depois que o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional aprovaram um calote em 2021.
Para Ciro Gomes, o governo deveria ter oferecido e negociado descontos diretamente com os credores.
O pagamento de R$ 93 bilhões em 2023, em relação ao exercício de 2022, quando vigorou o calote, foi determinado pelo STF, em dezembro do ano passado.
Nessa história, o Supremo é um ator importante, talvez mais do que o próprio governo, porque por ali as instituições financeiras tiveram acesso à alguma informação privilegiada e fizeram lobby a favor da liberação dos pagamentos.
Desde a derrota eleitoral de 2022, quando viu diminuir o seu contingente de eleitores de 12% para 3%, e com poucos convites da imprensa nacional, ciro gomes busca se recolocar como ator relevante para o debate político atual apostando em uma comunicação pessoal, com linguagem e abordagem muito voltadas aos seus mais íntimos apoiadores.
Escolher denunciar o que chama de escândalo dos precatórios é mais uma tentativa de ganhar espaço para além de suas redes, mesmo sabendo que o objeto da denúncia, corrupção clara e manifesta envolvendo ministros do STF, é do tipo que o capitalismo permite.

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